Homem público e político

“Temos que ocupar os espaços de poder”, aconselhava Abdias, com veemência, aos ativistas negros da década de 1970. Juntos, levavam o conselho à ação, com a produção acadêmica e organizando debates e eventos internacionais.

Com esse intuito, em 1954, Abdias candidatou-se a vereador da cidade do Rio de Janeiro e, em 1962, à Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Além disso, foi deputado federal de 1983 a 1987 e senador de 1997 a 1999, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Discurso

Abdias Nascimento discursa em convenção do Partido Democrático Trabalhista realizada no Congresso Nacional, em 1982 | Acervo Ipeafro

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Abdias Nascimento e o sociólogo Darcy Ribeiro em jantar-homenagem a Abdias no hotel Copacabana Palace, em 1991, no Rio de Janeiro | Acervo Ipeafro

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Cronologia - política

1982 – Concorre ao cargo de deputado federal pelo PDT, elegendo-se como Terceiro Suplente (legislatura de 1982 a 1987). No mesmo pleito, Brizola se elege governador do Rio de Janeiro.

1983 – Como deputado federal, apresenta o Projeto de Resolução nº 58, que propõe a criação da Comissão do Negro.

1984 – Abdias e Elisa Larkin transferem a sede do Ipeafro para o Rio de Janeiro, transformando o instituto em uma associação sem fins lucrativos. Abdias intercede junto ao governador Leonel Brizola para que a Uerj conceda o título de doutor honoris causa a Nelson Mandela.

1988 – Abdias se responsabiliza pela instituição da Comissão do Centenário da Abolição, que mais tarde resultaria na criação da Fundação Cultural Palmares.

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Pronunciamento de Abdias Nascimento no Senado Federal

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1982: o líder indígena e político Mário Juruna (1943-2002) conversa com Abdias Nascimento. Os dois eram do mesmo partido, o PDT | Elisa Larkin Nascimento/Acervo Ipeafro

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Leonel Brizola discursa ao lado de Juruna. Abdias Nascimento aparece no canto direito da foto | Acervo Ipeafro

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Luís Inácio Lula da Silva e Abdias Nascimento na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, durante o 3º Congresso de Cultura Negra das Américas, em 1982. Na mesa, estão a ativista Esmeralda Brown, do Panamá, o líder sindical Marvin Wright Lindo, da Costa Rica, e o professor Anani Dzidzienyo, de Gana | Acervo Ipeafro

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1983: Marietta Campos Damas e Rodrigues Alves posam com Abdias Nascimento na sua posse como deputado federal PDT | Elisa Larkin Nascimento/Acervo Ipeafro

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Informativo sobre a estrutura e os projetos de ação afirmativa da Secretaria Extraordinária para Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Sedepron) | Acervo Ipeafro

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Informativo sobre a estrutura e os projetos de ação afirmativa da Secretaria Extraordinária para Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Sedepron) | Acervo Ipeafro

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"Ainda é tempo de o Brasil assumir um papel mais positivo em suas relações com o mundo africano, parte integrante do hemisfério de que somos, pelo peso dos números, os líderes naturais. "

pronunciamento de Abdias Nascimento no Senado Federal, dia 25 de junho de 1997

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1991: Abdias Nascimento, então à frente da Secretaria Extraordinária para Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Sedepron) e Nelson Mandela, recém-libertado da prisão, durante a visita do líder sul-africano ao Brasil. Na ocasião, Mandela foi recebido pelo governador Leonel Brizola na qualidade de chefe de estado | Acervo Ipeafro

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Abdias Nascimento, Elisa Larkin Nascimento e Kofi Annan na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nos Estados Unidos, em 1997 | Evan Schneider/Acervo Ipeafro

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Da esquerda para a direita, a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, o presidente Lula Inácio Lula da Silva, Elisa Larkin Nascimento e Abdias Nascimento | Ricardo Stuckert/Acervo Ipeafro

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"A polícia substitui os capitães-de-mato, enquanto o chicote e o pelourinho dão vez ao pau-de-arara, e à cadeira-do-dragão. Mas o espírito que preside esse processo é exatamente o mesmo: manter os negros - e, por extensão, os pobres em geral - no seu lugar, ou seja, na periferia, à margem do processo de desenvolvimento do País, sem condições de reivindicar um quinhão mais justo do bolo nacional."

pronunciamento de Abdias Nascimento no Senado Federal, dia 17 de abril de 1997