Palácio do Samba

Em 1928, Cartola fundou – ao lado de Abelardo Bolinha, Carlos Cachaça, Euclides Roberto dos Santos, Massu, Pedro Paquetá, Satur e Zé Espinguela – a Estação Primeira de Mangueira. Antes disso, os amigos frequentavam o grupo dos Arengueiros, reunião de mascarados, bambas e batuqueiros que vez ou outra tomava as ruas do Rio de Janeiro.

Além do nome da escola – assim batizada porque a estação de trem da comunidade era a primeira, partindo da Central do Brasil, onde havia samba –, Cartola decidiu as cores da agremiação. O verde e o rosa vieram do Rancho dos Arrepiados – bloco carnavalesco do qual Cartola fazia parte durante a infância.

O site da Ocupação possui uma playlist interativa. Quer saber como usá-la?
Você pode ouvir uma música clicando no botão play (localizado à esquerda do nome de cada música). Pode continuar ouvindo as músicas enquanto navega em outros conteúdos, clicando no botão + (localizado ao lado do botão play) e adicionar as faixas à sua playlist. E pode também interagir com a playlist, clicando no botão com ícone de áudio que aparecerá no canto inferior direito da tela.

O primeiro samba composto por Cartola, “Chega de Demanda”, foi também o primeiro samba de desfile da Mangueira, no carnaval de 1929.

Compartilhe

Seção de vídeo

De conquistas em conquistas

Dona Regina, Nilcemar Nogueira – filha e neta de Cartola, respectivamente – e os cantores e compositores Monarco e Nelson Sargento abordam a origem e o desenvolvimento do samba e das escolas de samba, bem como a atuação de Cartola nesse contexto.

Compartilhe

A origem das escolas de samba

Por Luiz Antonio Simas

A década de 1920 no Rio de Janeiro (RJ) foi marcada por um dilema que envolveu as camadas populares urbanas – especialmente as comunidades afrodescendentes – e o Estado republicano. Enquanto os negros buscavam pavimentar caminhos de aceitação social, o Estado procurava disciplinar as manifestações culturais das camadas populares – uma forma considerada eficiente para controlá-las. E foi dessa interação entre o interesse regulador do Estado e o desejo de aceitação social das camadas populares urbanas que surgiram as primeiras escolas de samba.

As agremiações pioneiras se formaram de um amálgama de diversas referências: a herança festiva dos cortejos processionais, a tradição carnavalesca de ranchos, blocos e cordões e os sons das macumbas, dos batuques e dos sambas cariocas.

Consagrou-se a versão de que a utilização do termo “escola de samba” teria sido uma invenção do cantor e compositor Ismael Silva para designar a Deixa Falar, agremiação sediada no Estácio de Sá, bairro na região central do Rio. A versão, no entanto, é de difícil aceitação. É mais provável que a forma como o famoso rancho Ameno Resedá era designado – Rancho Escola – tenha inspirado a denominação que os sambistas usaram para as agremiações carnavalescas que surgiam.

Em 1930, cinco agremiações se definiam como escolas de samba: Estação Primeira de Mangueira, Oswaldo Cruz, Vizinha Faladeira, Para o Ano Sai Melhor e Cada Ano Sai Melhor. Sobre a Mangueira, Cartola, um de seus fundadores, afirmava que a escola fora criada no dia 28 de abril de 1928. Entretanto, o jornalista Sérgio Cabral encontrou, entre os pertences do radialista Almirante, um papel timbrado que afirmava ter a Mangueira sido criada em 28 de abril de 1929 – um ano depois, portanto, da data apontada por Cartola.

A despeito da polêmica sobre a data da fundação, o que se sabe é que a ocupação do Morro da Mangueira, datada do final do século XIX, se acelerou no início da década de 1920, com a chegada de muitos moradores expulsos do Morro do Castelo, que acabara de ser arrasado no centro do Rio. A tradição dos batuques afro-brasileiros era muito forte desde os primórdios da ocupação do morro. Uma das principais lideranças da Mangueira nos tempos em que a escola começou a ser gestada foi Tia Fé, respeitada mãe de santo e matriarca do samba mangueirense.

O samba desfila

No final da década de 1920, o alufá – sacerdote de um culto que misturava o islamismo com a devoção aos orixás iorubanos – José Espinguela organizou as duas primeiras disputas entre sambistas das escolas que surgiam. Não fora ainda um desfile em cortejo: o concurso de Espinguela visava julgar apenas os sambas que os compositores das escolas faziam.

A primeira disputa entre as escolas de samba com a ocorrência de um pequeno cortejo aconteceu em 1932. A festa foi patrocinada pelo jornal Mundo Sportivo, dirigido por Mário Filho, jornalista que colaborou decisivamente para que o samba e o futebol conquistassem de vez as ruas do Rio de Janeiro. O concurso contou com a participação de 19 agremiações, que desfilaram em frente a um coreto montado na Praça Onze de Junho.

O júri, formado por Álvaro Moreira, Eugênia Moreira, Orestes Barbosa, Raimundo Magalhães Júnior, José Lira, Fernando Costa e J. Reis, premiou quatro escolas: Mangueira, Vai como Pode – nome adotado pela Oswaldo Cruz antes de virar Portela –, Para o Ano Sai Melhor e Unidos da Tijuca. Segundo o regulamento, as agremiações não tinham nenhuma obrigação de criar sambas relacionados a um enredo. Cada escola poderia apresentar até três sambas, com temática livre. A vitoriosa Mangueira cantou dois: “Pudesse Meu Ideal”, de Cartola e Carlos Cachaça, e “Sorri”, de Gradim.

Poucos poderiam supor que naquele início da década de 1930 estava sendo gestado o evento que acabaria se consagrando como o maior conjunto de manifestações artísticas simultâneas do planeta: o desfile das escolas de samba cariocas. E Cartola, assim como Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Antenor Gargalhada do Salgueiro e tantos outros, teve seu nome inscrito na história da cultura brasileira como um de seus geniais criadores.

Luiz Antonio Simas é historiador e escritor. Entre outros livros, publicou Dicionário da História Social do Samba (2015), Portela – Tantas Páginas Belas (2012) e Samba de Enredo, História e Arte (2010), em coautoria com Alberto Mussa.

Compartilhe

Cartola e Dona Zica | foto: acervo Museu do Samba. Rio de Janeiro, Brasil

Nascida no bairro de Piedade, zona norte do Rio de Janeiro, Dona Zica mudou-se ainda pequena para o Morro da Mangueira. Foi uma das primeiras integrantes da Estação Primeira e participou do desfile de estreia da agremiação, em 1928.

Com a morte de Cartola em 1980, Dona Zica voltou para o morro – após ter morado com o músico em Jacarepaguá – e passou a ser uma liderança na comunidade. Grandes amigas, ela e Neuma (filha de Saturnino Gonçalves, um dos fundadores da escola) coordenaram durante muitos anos a confecção de fantasias da Mangueira e foram as principais pastoras da velha guarda – fundada em 1965.

Compartilhe

Dona Zica em desfile na Mangueira na ala Só para Quem Pode, da qual era madrinha | foto: Acervo Museu do Samba. Rio de Janeiro, Brasil

Nascida no bairro de Piedade, zona norte do Rio de Janeiro, Dona Zica mudou-se ainda pequena para o Morro da Mangueira. Foi uma das primeiras integrantes da Estação Primeira e participou do desfile de estreia da agremiação, em 1928.

Com a morte de Cartola em 1980, Dona Zica voltou para o morro – após ter morado com o músico em Jacarepaguá – e passou a ser uma liderança na comunidade. Grandes amigas, ela e Neuma (filha de Saturnino Gonçalves, um dos fundadores da escola) coordenaram durante muitos anos a confecção de fantasias da Mangueira e foram as principais pastoras da velha guarda – fundada em 1965.

Compartilhe

Playlist Fala Mangueira!

O site da Ocupação possui uma playlist interativa. Quer saber como usá-la?
Você pode ouvir uma música clicando no botão play (localizado à esquerda do nome de cada música). Pode continuar ouvindo as músicas enquanto navega em outros conteúdos, clicando no botão + (localizado ao lado do botão play) e adicionar as faixas à sua playlist. E pode também interagir com a playlist, clicando no botão com ícone de áudio que aparecerá no canto inferior direito da tela.

Adicionar playlist completa

Compartilhe

Dona Zica em desfile da Mangueira na ala Só para Quem Pode, da qual era madrinha | foto: acervo Museu do Samba. Rio de Janeiro, Brasil

Compartilhe

Playlist Homenagem à Mangueira

O site da Ocupação possui uma playlist interativa. Quer saber como usá-la?
Você pode ouvir uma música clicando no botão play (localizado à esquerda do nome de cada música). Pode continuar ouvindo as músicas enquanto navega em outros conteúdos, clicando no botão + (localizado ao lado do botão play) e adicionar as faixas à sua playlist. E pode também interagir com a playlist, clicando no botão com ícone de áudio que aparecerá no canto inferior direito da tela.

Adicionar playlist completa