Escrevivência

No papel, preto no branco, a voz de Conceição Evaristo carrega e propaga os sentimentos, as dores, as alegrias, os gritos e os sussurros de uma multidão de pessoas – de homens e, sobretudo, mulheres cujas vozes são insistentemente caladas. Com base no que chama de “escrevivência” – ou a escrita que nasce do cotidiano, das lembranças, da experiência de vida da própria autora e do seu povo –, ela compõe romances, contos e poemas que revelam a condição do afrodescendente no Brasil.

Embora escreva desde a juventude, Conceição só começou a publicar seus textos aos 44 anos – em 1990, nos Cadernos Negros, série de antologias editada pelo coletivo Quilombhoje. Com seis livros lançados até 2017, ela é referência no que diz respeito à arte como poderosa ferramenta na luta contra o racismo e o machismo que se encontram na base da sociedade – e da literatura – brasileira.

“A nossa escrevivência não pode ser lida como história de ninar os da casa-grande, e sim para incomodá-los em seus sonos injustos.”

Conceição Evaristo

Compartilhe

Seção de vídeo

TEXTO E CONTEXTO

Constância Lima Duarte e Eduardo de Assis Duarte, professores de literatura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), contextualizam a obra de Conceição Evaristo nos campos das literaturas negra e feminina.

Compartilhe

Seção de vídeo

O PONTO DE PARTIDA DA ESCRITA

Em conversa registrada no Amarelinho, bar carioca bastante frequentado por Conceição Evaristo ao longo da vida, a autora fala sobre o ponto de partida de sua escrita e comenta a ideia falaciosa de meritocracia.

Compartilhe

Documento sem data, escrito por Conceição Evaristo, sobre a sua trajetória pessoal e profissional

Compartilhe

Seção de vídeo

REPRESENTATIVIDADE

Historiadora, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e feminista negra intersecional, Giovana Xavier analisa como a obra de Conceição Evaristo estimula reflexões sobre a branquidade – na sociedade como um todo e no mercado editorial. Em 2016, Giovana e outras professoras da UFRJ publicaram uma carta aberta à organização da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), criticando a ausência de autores negros na programação do evento – apontado como um “arraiá da branquidade”. Ao fim da conversa, ela lê o relato introdutório do livro Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011), de Conceição.

Compartilhe

Conceição nos Cadernos Negros

Em contos e poemas publicados a partir de 1990 na série Cadernos Negros, Conceição Evaristo já apresentava muitos dos aspectos formais e temáticos que caracterizam sua obra
Por Cuti

A série Cadernos Negros, iniciada em 1978, ganhou um novo sopro identitário e um brilho especial de coragem e tratamento estético quando ela chegou, em 1990. No volume 13 da coletânea, Conceição Evaristo fez desfilar em seis poemas os traços que seriam indeléveis em sua produção posterior: o apelo à terra natal, a identidade feminina, a ancestralidade, a esperança nas novas gerações, a memória como reserva de resistência e o amor que se esmera no querer.

Conceição encontrou nos Cadernos Negros um estímulo de publicação e experiência autocrítica, pois o processo seletivo da série conta com um conselho editorial que a todo ano é reformulado, possibilitando aos autores repensar seus textos após as várias opiniões recebidas, muitas delas díspares. Ela também percebeu não haver imposição de qualquer ordem que ameaçasse tolher sua singularidade. Enfim, a chamada linha editorial dos Cadernos Negros era fluida a ponto de inexistir e, como projeto cooperativo gestado pelo Quilombhoje – grupo criado em 1980 –, reforçava o significado de pertencimento a um coletivo literário.

A contribuição de Conceição foi significativa, inclusive para incentivar a participação de mais mulheres nos Cadernos Negros, o que vinha sendo feito principalmente por Miriam Alves, Sonia Fátima da Conceição e Esmeralda Ribeiro. Com o ingresso dos poemas e contos de Conceição, a vertente feminina ganhou mais volume e teor literário visceral.

Na edição seguinte, com os contos “Di Lixão” e “Maria”, a autora firmou a presença dos pobres e miseráveis como personagens e referências poéticas humanizadas.

Foram 28 poemas e 11 contos publicados em 13 volumes dos Cadernos Negros, no período de 1990 a 2011, alternando anualmente poemas e contos, como também nas antologias realizadas como desdobramentos da série (Cadernos Negros – os Melhores Poemas e Cadernos Negros – os Melhores Contos, ambas de 1998, Cadernos Negros – Três Décadas e Cadernos Negros/Black Notebooks, em dois volumes: poesia e prosa, estas últimas de 2008). Tais textos formam um coro de múltiplas correspondências temáticas, de ideias, personagens e espaços, incluindo o diálogo entre as facetas do eu lírico e as dos narradores da prosa, estabelecendo constantes vasos comunicantes entre os gêneros, polifonia esta articulada com a obra individual, publicada a partir de 2003.

A produção ensaística de Conceição Evaristo esboçou os primeiros passos em poemas metalinguísticos e em um pequeno testemunho, no qual a escritora salienta:

Escrever é dar movimento à dança-canto que meu corpo não executa. A poesia é a senha que invento para poder acessar o mundo.
Cadernos Negros 25

Movimento e senha inventada, eis aí o enigma de sua elaboração literária. Inventa senha para colher liberdade de se expressar e contatar o outro. Dá movimento ao que retém no corpo para dançar e cantar por dentro.

Nos primeiros versos do poema “De Mãe”, a autora segue a mesma linha de refletir sobre o seu fazer literário:

O cuidado de minha poesia
aprendi foi de mãe,
mulher de pôr reparo nas coisas,
e de assuntar a vida.
Cadernos Negros 25

Labor e reflexão se expõem como paradigmas norteadores do empenho literário de Conceição. Na metade da última estrofe do mesmo poema, ela prossegue:

e me ensinou, insisto, foi ela
a fazer da palavra
artifício
arte e ofício
do meu canto
da minha fala.

A reiterada imagem materna configura a herança ancestral e abre uma senda para o profundo e misterioso universo feminino da gestação, trabalhado em poemas como “Vozes-Mulheres”, “Eu-Mulher”, “Menina” e “Filhos da Rua”. O mesmo ocorre em contos como “Maria”, “Duzu-Querença”, “Ana Davenga” e “Quantos Filhos Natalina Teve?”, este último em estreita consonância com o drama da gravidez no romance Ponciá Vicêncio, de 2003, e em histórias de Insubmissas Lágrimas de Mulheres, de 2011. Em meio à violência, ao sofrimento e às perdas, a busca de superação procura seu caminho.

O poema “Meu Rosário” resume as preocupações existenciais da autora, configurando o texto um verdadeiro manifesto de seus singulares processo e projeto literários:

Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo padres-nossos, ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques do meu povo e encontro na memória mal adormecida as rezas dos meses de maio de minha infância. As coroações da Senhora, onde as meninas negras, apesar do desejo de coroar a Rainha, tinham de se contentar em ficar ao pé do altar lançando flores.
As contas do meu rosário fizeram calos nas minhas mãos, pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas, nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.
As contas do meu rosário são contas vivas.
(Alguém disse um dia que a vida é uma oração, eu diria, porém, que há vidas blasfemas.)
Nas contas de meu rosário eu teço entumecidos sonhos de esperanças.
Nas contas de meu rosário eu vejo rostos escondidos por visíveis e invisíveis grades
e embalo a dor da luta perdida nas contas de meu rosário.
Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.
Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome no estômago, no coração e nas cabeças vazias.
Quando debulho as contas de meu rosário,
eu falo de mim mesma um outro nome.
E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas, vidas que pouco a pouco descubro reais.
Vou e volto por entre as contas de meu rosário, que são pedras marcando-me o corpo-caminho.
E neste andar de contas-pedras, o meu rosário se transmuda em tinta, me guia o dedo, me insinua a poesia.
E depois de macerar conta por conto o meu rosário, me acho aqui eu mesma e descubro que ainda me chamo Maria.
Cadernos Negros 15

Um rosário se liquefaz para insinuar a poesia e, macerado, troca conta por conto, podendo ser lido como a peregrinação da artista de palavra em palavra, de texto em texto, de livro em livro, cumprindo a sua missão de contribuir para o refinamento interior de seus habituais e futuros leitores, tarefa para a qual os Cadernos Negros foram acolhimento e incentivo ao sonho trabalhado de Conceição Evaristo, que continua retribuindo com novos textos sempre deixando atrás de si um rasto de luz.

Cuti é pseudônimo de Luiz Silva. Escritor, mestre em teoria da literatura e doutor em literatura brasileira pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi um dos criadores da série de publicações Cadernos Negros e um dos fundadores e membro do grupo Quilombhoje. É autor de livros de conto, poesia, dramaturgia e ensaio, como Contos Escolhidos (2016), Negrhúmus Líricos (2017) e Tenho Medo de Monólogo & Uma Farsa de Dois Gumes (2017).

Compartilhe

foto: Richner Allan

Compartilhe

Espelho das iabás

A literatura de Conceição Evaristo como defesa e processo de autorreconhecimento da mulher negra
Por Bianca Santana

Um dia, agora ela já sabia qual seria a sua ferramenta, a escrita. Um dia, ela haveria de narrar, de fazer soar, de soltar as vozes, os murmúrios, os silêncios, o grito abafado que existia, que era de cada um e de todos. Maria-Nova um dia escreveria a fala de seu povo.
Conceição Evaristo, em Becos da Memória

“Oiá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum”
Reginaldo Prandi, em Mitologia dos Orixás

Iabás, na tradição iorubá, são as orixás femininas. As mais conhecidas no Brasil são Iemanjá, Oxum, Oiá-Iansã, Nanã. Cada uma delas representa uma força da natureza; tem poderes, características e instrumentos próprios. Duas possuem espelhos: Oxum, senhora das águas doces, dona da vaidade, da fertilidade e do ouro, e Iemanjá, dos mares e oceanos, mãe dos orixás e dos homens, rege as emoções. O espelho permite contemplação, percepção e reconhecimento. E também proteção, defesa: pode refletir de volta raios indesejados.

Bianca, menina negra branqueada desde o nome, encontrou nos livros a possibilidade de descobrir mundos. Mas eles não eram espelhos. Por mais que os adorasse, sentia falta de ler histórias como as contadas por sua mãe, por sua avó e pela vizinhança do conjunto habitacional onde crescera. A conflituosa relação com as patroas, de afeto e solidariedade, mas também de humilhação e injustiça. A criatividade para alimentar as crianças quando não havia dinheiro para o pão. A água puxada do poço para lavar as roupas da freguesia e da família numerosa. As ervas caçadas no mato para curar e benzer. O desenraizamento por migrações e despejos. Narrativas que, detalhadas na oralidade, nada deviam para aquelas tão distantes lidas na escola e nos livros.

Só no último ano do ensino médio teve nas mãos um livro que registrava episódios próximos, familiares, semelhantes às histórias que viveu ou que ouviu tantas vezes no banco de concreto de frente para o campinho, ou da avó, enquanto esta bordava ponto-cruz. Arminda, professora de língua portuguesa, recomendou um livro que não estava no planejamento: “Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Tem na biblioteca, acho que você vai gostar”. Em um primeiro momento, detestou. Nem sempre é fácil olhar o espelho. E aquela tristeza toda era para estar em livro? Texto tão curto, violento, cada soco no estômago. Deve ter também se incomodado por ver em letras impressas, quase frias, os segredos que ouvira como sagrados.

Foram necessários ainda alguns anos para a Bianca jovem perceber a importância daquela leitura. Ao acessar a universidade e encontrar gente tão diferente dela, conheceu um cursinho popular do movimento negro, em que percebeu uma cumplicidade, naquele momento inexplicável. Com o convite de um professor para que escrevesse uma reflexão profunda sobre suas origens, colocou em palavras: “Quando me descobri negra”. As perguntas que apareciam de quando em quando desde a infância, mas logo iam embora, passaram a ser centrais: de onde veio minha família? Como foram as tantas resistências à escravidão? E os detalhes pós-abolição? Foi simplesmente: “Boa sorte, podem ir embora para a completa miséria”? O que foi feito para a reparação, a emancipação, a cura de tantos traumas? Por que meu cabelo sempre foi chamado de ruim? O que acontece com o meu corpo que sinto até tontura quando vejo meu cabelo solto com tanto volume? Por que em lugares pobres tanta gente se parece comigo e na universidade tão pouca? Quem já escreveu sobre isso tudo? O que posso ler? Descobri-me Oxum. Voltei à Carolina, cheguei aos textos teóricos de Sueli Carneiro e Jurema Werneck. Pelos Cadernos Negros li poesia e contos de Conceição Evaristo. Mas foi na prosa poética da autora que me encontrei no espelho. Especialmente em Maria-Nova, personagem de Becos da Memória, que tem tanto de Conceição, de Bianca e de mulheres negras que se reconhecem na leitura e na escrita.

Maria-Nova crescia. Olhava o pôr do sol. Maria-Nova lia. Às vezes, tinha uma aflição, ela chorava, angustiava-se tanto! Queria saber o que era a vida. Queria saber o que havia atrás, dentro, fora de cada barraco, de cada pessoa. Fechava o livro e saía. Torneira de baixo ou torneira de cima? Hoje estou para o sofrimento… Maria-Velha parece que adivinhava os desejos de Maria-Nova. E, quando a menina estava para sofrer, a tia tinha tristes histórias para rememorar. Contava com uma voz entrecortada de soluços. Soluços secos, sem lágrimas. Sabia-se que ela estava chorando pela voz rouca e pela boca amarga.
Conceição Evaristo, em Becos da Memória

Maria-Nova. Mas também Maria-Velha, Vó Rita, a Outra, Ditinha, Mãe Joana, Negra Tuína, Cidinha-Cidoca, Maria Cosme, Custódia. Tão diferentes entre si. Tantas possibilidades de ser mulher negra nas histórias que vamos adentrando e recuando ao percorrer os becos da favela que formam Becos da Memória. Sem falar nas 13 personagens de Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011), cada conto nomeado por uma delas – Aramides Florença, Natalina Soledad, Shirley Paixão… –, a cada narrativa, a complexidade, sem estereótipos reducionistas, de ser mulher negra.

Como escreveu o pesquisador Marcos Antônio Alexandre, no artigo “Vozes Diaspóricas e Suas Reverberações na Literatura Afro-Brasileira”: “por meio de uma tessitura de narrativas de mulheres, Conceição Evaristo legitima histórias de outras mulheres. Seus contos se tornam macrossignos que nos permitem rememorar histórias e vozes diaspóricas que têm urgência de se fazerem ouvidas”. Encontrar cada uma dessas vozes é uma possibilidade de encontrar-se a si mesma. Um dos poderes do espelho.

Cada cena, cada diálogo, cada reflexão dos contos e romances de Conceição Evaristo não são palavras matematicamente encaixadas com o objetivo principal de compor boa literatura. Elas encarnam uma dor poucas vezes verbalizada. Como se dessem corpo, consistente, a memórias difusas do que não se sabe ao certo se aconteceu. Ou não se sabia. Até que virasse palavra.

Maria-Nova, talvez, tivesse o banzo no peito. Saudades de um tempo, de um lugar, de uma vida que nunca vivera. Entretanto o que doía mesmo em Maria-Nova era ver que tudo se repetia, um pouco diferente, mas, no fundo, a miséria era a mesma. O seu povo, os oprimidos, os miseráveis; em todas as histórias, quase nunca eram os vencedores, e sim, quase sempre, os vencidos. A ferida dos do lado de cá sempre ardia, doía e sangrava muito.
Conceição Evaristo, em Becos da Memória

Como nos ensinou Sueli Carneiro, o projeto em curso no Brasil, desde a abolição, no mínimo, é de hegemonia branca. Ele opera pela exclusão e pela violência contra pessoas não brancas, especialmente negras e indígenas. A manifestação mais evidente desse projeto é o genocídio de jovens negros, com um assassinato a cada 23 minutos; 63 jovens negros assassinados por dia no Brasil.

No imaginário social, esse projeto também aparece em uma leitura de passado que omite a violência e a resistência à escravidão, encoberta as estratégias de branqueamento e silencia vozes e memórias da população negra. Becos da Memória estava finalizado em 1988. Foi publicado pela primeira vez somente em 2006, quase 20 anos depois. Quantas dificuldades encontrou Conceição Evaristo para colocar seu romance a serviço de todas nós?

E mesmo que tantas vezes a obra de Conceição seja rotulada como literatura de mulheres negras, em uma tentativa de redução, o que ela produz é literatura. Sua obra ultrapassa as barreiras que tantas vezes confinam mulheres negras a estereótipos. Uma escritora de tamanha grandeza se colocar publicamente como mulher negra, e escrever sobre mulheres negras, nos oferece outro poder do espelho: de defesa daquilo que nos oprime. A escrita se coloca também como luta política para desbravar novas possibilidades de existência, para que caibamos todas e todos.

Maria-Nova sentia que era preciso modificar a vida, mas como? Saiu desesperadamente calma a andar pela favela. Conhecia de cor, de olhos fechados muitos becos, porém alguns ainda eram-lhe estranhos. Mãe Joana nunca gostou que seus filhos fossem muito além da área em que moravam. Tinha medo, muito medo que eles se perdessem, quando estivessem distantes de casa. Maria-Nova, entretanto, furava o cerco. Amava a mãe, mas era impossível não ir ao mundo.
Conceição Evaristo, em Becos da Memória

Ao ler tantas mulheres negras que furaram o cerco, Conceição, Ana Maria, Maria Firmina, Carolina, Francisca, Elisa, Mãe Beata, Sueli, Jurema, Beatriz, Lélia, Geni, Alzira, Mel, Luana, Maria Rita, Charô, Joice, Nathália, Monique, Preta, Maitê, Renata, Cidinha, Djamila, Stephanie, Jarid, Giovana, Jenyffer, Elizandra, Priscila, Lu, Marli, encontramos espelhos que nos permitem reconhecimento e disputa pelas histórias, pelos escritos, pelas vivências. No belíssimo neologismo de Conceição: nossa escrevivência.

Bianca Santana é escritora e jornalista. Doutoranda em ciência da informação e mestra em educação pela Universidade de São Paulo (USP), é autora do livro Quando Me Descobri Negra (Sesi-SP, 2015).